Síndrome Nefrótica

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Síndrome Nefrótica

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É um conjunto de sinais e sintomas (inchaço, urina espumosa, colesterol aumentado e redução da proteína no sangue) causado por aumento da permeabilidade da membrana glomerular (o nosso “filtro” renal). Deste modo surgem na urina quantidades excessivas de elementos que são habitualmente excretados pelos rins, podendo ainda estar presente outros elementos que em situação normal não se encontrariam na urina.

O diagnóstico é feito quando há eliminação excessiva de proteínas na urina (em quantidade definida como nefrótica – > 50 mg/kg/dia) com consequente diminuição dos níveis sanguíneos de albumina (a proteína mais excretada) o que por sua vez está na origem dos edemas (“inchaço”).

Cerca de 90% dos casos que ocorrem em idade pediátrica correspondem à forma primária/idiopática, isto é, surgem na ausência de doença sistêmica associada.

Quando a síndrome nefrótica tem uma causa identificável, estamos perante uma forma secundária. Nas crianças, são causa de síndrome nefrótica secundária:
1. Doenças hereditárias;
2. Doenças autoimunes (por exemplo: lúpus eritematoso sistêmico);
3. Pós- infeção (por exemplo: hepatite B ou C, malária, toxoplasmose, sífilis);
4. Drogas, toxinas ou fármacos (anti-inflamatórios não esteroides, heroína, lítio);
5. Neoplasias (leucemias e linfomas).

Existe ainda uma forma congênita/infantil da síndrome nefrótica, que surge em crianças com menos de 1 ano de idade e que pode ter origem primária ou secundária (frequentemente após infecção); as formas que surgem antes dos 3 meses de vida são consideradas congênitas, sendo mais raras.

O edema é a forma de apresentação mais comum. Inicialmente de predomínio em torno dos olhos e posteriormente em áreas dependentes da gravidade (órgãos genitais e nos membros inferiores sobretudo ao final do dia). De acordo com o grau do edema pode haver queixas como dor abdominal ou falta de ar dado o maior acúmulo de líquido no abdômen e pulmões, respetivamente.

Podem surgir sintomas como diminuição da quantidade de urina eliminada por dia, perda de apetite, fraqueza, náuseas e maior irritabilidade. A pressão arterial pode encontrar-se elevada e nas análises sanguíneas verifica-se um aumento dos níveis de colesterol e de triglicerídeos.

Os pais devem então estar atentos e recorrer a um hospital se surgir edema/inchaço ao redor dos olhos sem relação com um traumatismo ou picada de inseto.

Numa fase inicial, o tratamento é baseado em corticoides; uma boa resposta ao tratamento é o melhor fator de prognóstico e está relacionado com um menor número de recidivas. Do mesmo modo são fundamentais medidas como a restrição de ingestão de sal na dieta, uso de diuréticos (para diminuir o edema), controle da pressão arterial elevada e colesterol (que pode exigir medicação), entre outros. Eventualmente poderá ser necessário repor os níveis de albumina (nos casos em que a perda for grave); antibióticos são também úteis, já que geralmente são causa de descompensação do quadro.

Em algumas formas idiopáticas da síndrome nefrótica e, apesar do tratamento adequado, as crianças podem ser cortico-dependentes (isto é, requerem tratamento contínuo com corticóide, caso contrário os sintomas voltam a instalar-se) ou cortico-resistentes (não respondem aos corticoides); nestes casos pode ser útil tentar agentes imunossupressores que suprimem o nosso sistema imune e consequentemente a resposta contra o rim. Em alguns casos pode estar indicada a realização de uma biopsia renal (para análise dos tecidos renais).

Apesar de tudo, na maioria dos casos, após o tratamento (geralmente de alguns meses) a doença entra em remissão, sem deixar sequelas. Estima-se que com o passar dos anos, os períodos de atividade diminuam de frequência e que, após 5 anos de doença, cerca de 50-70% das crianças não apresentem recidivas. De salientar também que, na grande maioria dos casos, o rim recupera o seu funcionamento normal, sem sequelas e sem necessidade de tratamento contínuo.

Considera-se “eventualmente curada” uma criança que permanece 5 anos sem novas crises e sem necessidade de medicação. Mesmo assim, às vezes, após períodos muito longos, podem surgir novas recorrências.

Estas crianças são seguidas numa consulta da especialidade – nefrologia pediátrica – onde é feito um controle regular da pressão arterial, aferição de peso e por vezes análise rápida de urina (com tira-teste urinária); regularmente repetem análises sanguíneas para avaliar os parâmetros da função renal tentando assim prevenir recaídas/complicações associadas à síndrome Nefrótica.

Dra. Roberta Pascotto
Dra. Roberta Pascotto
Dra. Roberta Pascotto é médica graduada na Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP), pós-graduada em Nefrologia Pediátrica pela Universidade Federal de São Paulo UNIFESP desde 2007. Atualmente é responsável pelo Departamento de Diálise Pediátrica da Santa Casa de Maringá, médica nefropediatra no Hospital Santa Rita, presta atendimento à seus pacientes na Clinica do Rim e responsável pelo ambulatório de nefrologia pediátrica do Departamento de Medicina da UNINGA. Dedica-se á profissão desde 2003, buscando constante aperfeiçoamento e conhecimento na sua área de atuação. A carreira acadêmica, o contato direto com seus pacientes e o dia a dia do setor de diálise trouxeram anos de expertise e vivência clinica, e uma linda história de sucesso profissional.

2 Comentários

  1. Amei seu blog….parabéns que Deus lhe abençoe sempre.

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